Mundaréu

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  • Mundaréu

    O Complexo de Golgi

    01/04/2026 | 36 min
    Nessa série de podcast e na minha dissertação de mestrado, elaborei um exercício de figuração feminista, inspirado no trabalho da Donna Haraway. Você me acompanhou aqui em  uma viagem pela célula. Foi organizando essa viagem que eu construí a minha metodologia de pesquisa e conduzi minha análise. Resolvi dividir a viagem na visita a cada uma das diferentes organelas que compõem a célula. Fui pensando em como cada organela funciona e de que formas essas funcionalidades poderiam ajudar a responder às minhas perguntas de pesquisa, e apresentar o material empírico que eu levantei.  E se você chegou até aqui, significa que você topou embarcar comigo nessa viagem! Te agradeço pela companhia. 

    Nosso salto dá certo. A gente alcança a estrutura próxima, que é formada por pilhas ordenadas até próximo da membrana, estamos nas cisternas do Complexo de Golgi! Essa é uma parte celular responsável pela exportação de substâncias para fora da célula. Toda célula tem suas próprias estruturas e funções, só que apenas funcionando em conjunto é que elas fazem um corpo como o nosso funcionar. E esse diálogo entre a célula e o corpo é mediado pela exportação de substâncias pelo Complexo de Golgi.  

    A bióloga feminista estadunidense Anne Fausto-Sterling discute que não é razoável pedir para que todos os biólogos se tornem proficientes em teorias feministas, nem o contrário. Mas é razoável pedir que cada grupo de acadêmicos entenda a limitação do conhecimento obtido apenas com uma disciplina. Para ela, apenas grupos multidisciplinares não-hierárquicos podem produzir um conhecimento mais complexo sobre o corpo humano. Cada campo do conhecimento é como uma célula isolada. Pensando aqui na nossa viagem pela célula, o que será que poderia funcionar como um Complexo de Golgi para favorecer o diálogo interdisciplinar? Como essa ponte entre o dentro e o fora da produção científica?  

    Vem comigo saltar pelas cisternas do Complexo de Golgi?



    Mais Informações

    Transcrição completa do episódio

    Currículo Daniela Tonelli Manica

    Currículo Hannah Cowdell

    Currículo Malin Ah King

    WESTER, Fernanda Mariath Amorim. Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco. 2025. Dissertação (Mestrado em Divulgação Científica e Cultural) – Instituto de Estudos da Linguagem, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo,  Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2025. 



    Materiais Extras

    Estranha célula das entranhas, Episódio Oxigênio, 2018.

    Uma antropóloga na sala de cultura, Episódio no Podcast Mundaréu, 2020.

    HARAWAY, Donna Jeanne. O manifesto ciborgue. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. Antropologia do ciborgue: As vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica. 2000.

    FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000.



    Expediente de Produção

    Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

    Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana

    Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica

    Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica

    Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)

    Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)

    Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo

    Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)

    Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 

    Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica

    Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath

    Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família!

    Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: [email protected]
  • Mundaréu

    A Mitocôndria

    25/03/2026 | 31 min
    Nessa aventura pela célula, ainda não encontramos um caminho para responder: ‘é possível fazer uma pesquisa feminista com células?’ Nesse momento, estamos refugiadas dentro de uma Mitocôndria, uma estrutura celular responsável pela produção de energia, potencializando o funcionamento da célula. O tempo todo eu tava procurando um caminho novo para trilhar uma ciência feminista com células. E talvez, seja sobre olhar para trás e somar no movimento que já está em curso. Como nas respostas feministas à ciência discutidas pela Sandra Harding, a figuração de Haraway que nos convida a habitar nossa pesquisa e ficar com o problema, a clonagem feminista da Deboleena Roy que nos instiga a criar conexões e comunicações horizontais entre biologia molecular e feminismos, as estratégias de neurocientistas feministas descritas por Marina Nucci… 

    Não existe uma única forma de se fazer uma ciência feminista, uma saída específica, mas existem muitas entradas. O importante é continuar fazendo perguntas, experimentando e acumulando direcionamentos, dúvidas e possibilidades. Como o movimento dos elétrons vai se somando, se acumulando até produzir energia.  Além de produzir energia para toda a célula, a mitocôndria tem seu próprio material genético e capacidade de formar outras mitocôndrias. Ela tem uma origem independente do resto da célula. Segundo Teoria da Endossimbiose, consolidada pela cientista Lynn Margulis, a origem das nossas células, como a que estamos mergulhada agora, só foi possível ao englobar uma outra célula, que deu origem a uma mitocôndria. Uma célula envolvendo outra célula em um abraço para seu interior.  

    Os estudos feministas têm suas próprias produções teóricas e métodos, como o DNA circular e o maquinário mitocondrial. É preciso juntar as contribuições e conhecimentos dos estudos feministas por meio de um diálogo interdisciplinar. A gente pode construir modelos e metodologias experimentais com células na pesquisa biomédica, a partir de uma inserção séria e robusta das categorias sexo e gênero. E assim, endereçar interesses das mulheres e diminuir iniquidades na saúde entre homens e mulheres. Finalmente, eu encontro um caminho para uma ciência feminista com células. 

    Vem comigo escalar as cristas da Mitocôndria?



    Mais Informações

    Transcrição completa do episódio

    Currículo Aryella Maryah Couto Correa

    Currículo Daniela Tonelli Manica

    Currículo Bruno Paranhos



    Materiais Extras

    HARDING, Sandra G. The science question in feminism. Ithaca: Cornell University Press, 1986.

    HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo, SP: N-1 Edições, 2023.

    HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7–41, 2009. 

    BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013.

    MARGULIS, L. Symbiosis in Cell Evolution. New York: W. H. Freeman; 1981.

    NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015. 

    ROY, Deboleena. Molecular Feminisms: Biology, Becomings, and Life in the Lab. Seattle: University of Washington Press, 2018. (Feminist technosciences).



    Expediente de Produção

    Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

    Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana

    Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica

    Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica

    Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)

    Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)

    Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo

    Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)

    Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 

    Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica

    Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath
  • Mundaréu

    O Lisossomo

    18/03/2026 | 34 min
    As células do sangue menstrual têm muitas qualidades interessantes para serem escolhidas para experimentos. Excelente sobrevida, proliferam bastante e ainda são de fácil obtenção. Diferente de outras células mesenquimais, que, em sua maioria, exigem procedimentos complexos e invasivos, como punções e cirurgias. Ou ainda momentos específicos, como um parto. O sangue menstrual pode ser coletado nos dias de maior fluxo durante a menstruação. Um material extremamente abundante e interessante. Incrível, né? Só que o que a pesquisa da Daniela Manica, com Karina Asensi e Regina Goldenberg encontrou é que essas células basicamente não são utilizadas.

    Mesmo existindo pessoas trans ou intersexo que menstruam, e mulheres que não menstruam, o sangue menstrual é marcado como feminino, o que é entendido como uma barreira para a escolha dessas células.  Por um lado, as células e os modelos chamados de masculinos alcançam o patamar de modelo universal. Eles podem representar todos os nossos corpos e são preferidos na prática científica. E fluidos e partes corporais sem marcação de gênero, como fezes, urina e sangue, são rotineiros no laboratório. Por outro lado, apesar disso, uma célula entendida como “feminina” vem sendo descartada como um modelo possível. E o engajamento do sangue menstrual nas pesquisas causa estranhamento, nojo até. 

    O que torna o sangue menstrual tão diferente de sangue, fezes, urina, células e órgãos? O que faz com que não seja bem-vindo na sala de cultura? Dando voltas nessa viagem pela célula, a gente retorna para a pergunta que nos fez embarcar nessa aventura. O sexo da célula faz diferença? E, no caso, o sexo do fluido corporal está presente nele? Como? A gente tá buscando essas respostas nessa viagem pela célula. Nesse momento, estamos agarradas em uma proteína, sendo carregadas por uma vesícula pelo Citosol. Essa vesícula fez uma curva e está se voltando para o interior da célula. E estamos quase colidindo contra uma pequena estrutura arredondada, bem menor que o Núcleo. Então, se segura! 

    Vem comigo enfrentar as ciladas dos Lisossomos?  



    Mais Informações

    Transcrição completa do episódio

    Currículo Julia Helena Barros

    Currículo Daniela Tonelli Manica

    Currículo Regina Coeli dos Santos Goldenberg

    Currículo Karina Dutra Asensi



    Materiais Extras

    MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018. 

    MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Brasília, DF: Aba Publicações, 2021.

    MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022. 

    MANICA, Daniela Tonelli; GOLDENBERG, Regina Coeli Dos Santos; ASENSI, Karina Dutra. CeSaM, as Células do Sangue Menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 20, n. 1, 2018. 

    MARIATH, Fernanda; MANICA, Daniela. Stem cells, menstrual blood and feminist perspectives. EASST-4S 2024 Amsterdam: Making and Doing Transformations. 2024.

    MARTIN, Emily. A mulher no corpo: uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro: Garamond, 2006. 

    PRENDERGAST, Brian J.; ONISHI, Kenneth G.; ZUCKER, Irving. Female mice liberated for inclusion in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 40, p. 1–5, 2014.

    CRITCHLEY, Hilary O.D.; BABAYEV, Elnur; BULUN, Serdar E.; et al. Menstruation: science and society. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 223, n. 5, p. 624–664, 2020.

    DELOUGHERY, Emma; COLWILL, Alyssa C; EDELMAN, Alison; et al. Red blood cell capacity of modern menstrual products: considerations for assessing heavy menstrual bleeding. BMJ Sexual & Reproductive Health, v. 50, n. 1, p. 21–26, 2024.

    GRABEK, Anaëlle; DOLFI, Bastien; KLEIN, Bryan; et al. The Adult Adrenal Cortex Undergoes Rapid Tissue Renewal in a Sex-Specific Manner. Cell Stem Cell, v. 25, n. 2, p. 290-296.e2, 2019.

    FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. 1 ed. New York, NY: Basic Books, 2000.

    ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde). 

    SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001.

    NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015. 



    Expediente de Produção

    Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

    Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana

    Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica

    Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica

    Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)

    Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)

    Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo

    Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)

    Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 

    Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica

    Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath
  • Mundaréu

    O Citosol

    11/03/2026 | 40 min
    Até agora, nosso percurso pela célula se aproximou mais de uma corrida de obstáculos. No Núcleo, esbarramos nas limitações de se atribuir sexo e gênero a uma célula. Mas também nadamos em possibilidades para contorná-las, como o conceito de sexo contextual proposto pela professora Sarah Richardson. Nos perdemos no Retículo Endoplasmático, dando de cara com vários becos sem saída. Principalmente, na falta de rigor das publicações científicas. Nos frustramos ao perceber que células de uma mulher negra, as células HeLa obtidas sem consentimento de Henrietta Lacks, sempre estiveram no centro da experimentação com células. E isso não garantiu o endereçamento dos interesses das mulheres na pesquisa biomédica, especialmente, das mulheres negras. 

    Mas a gente continua agarrada na discussão de diferenças entre os sexos. O principal impacto dessa política de inclusão de modelos femininos foi o aumento desse tipo de publicação, que compara um modelo feminino a um modelo masculino. Será que não acrescentaram a isso nenhum direcionamento para resolver as iniquidades na saúde entre homens e mulheres, como essa política prometia? 

    Nesse momento, estamos agarradas também a uma proteína, sintetizada a partir de um trecho de um cromossomo sexual. Somos carregadas no interior de uma vesícula pelo citosol. O citosol é o líquido gelatinoso que preenche toda a célula, como a clara do ovo. É nele que ficam as organelas e partes celulares imersas. E aqui estamos, boiando nele suspensas, no interior de uma pequena bolsa em movimento, juntas da proteína. Quantas voltas serão necessárias para encontrarmos uma saída? 

    Bora dar umas voltas pelo Citosol?



    Mais Informações

    Transcrição completa do episódio

    Currículo Tais Hanae Kasai Brunswick

    Currículo Sarah Richardson

    Site GenderSci Lab



    Materiais Extras

    Política “Sexo como variável biológica” do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos 

    MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022. 

    WOITOWICH, Nicole C; BEERY, Annaliese; WOODRUFF, Teresa. A 10-year follow-up study of sex inclusion in the biological sciences. eLife, v. 9, p. e56344, 2020.

    BEERY, Annaliese K.; ZUCKER, Irving. Sex bias in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 35, n. 3, p. 565–572, 2011.

    BALASSA, Katalin; ANDRIKOVICS, Hajnalka; REMENYI, Peter; et al. Sex-specific survival difference in association with HLA-DRB1∗04 following allogeneic haematopoietic stem cell transplantation for lymphoid malignancies. Human Immunology, v. 79, n. 1, p. 13–19, 2018.

    Richardson, Sarah S. Sex Contextualism. Philosophy, Theory, and Practice in Biology 14, 2022.

    ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde). 

    SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001.

    ZHAO, Helen; DIMARCO, Marina; ICHIKAWA, Kelsey; et al. Making a ‘sex-difference fact’: Ambien dosing at the interface of policy, regulation, women’s health, and biology. Social Studies of Science, v. 53, n. 4, p. 475–494, 2023.

    Greenblatt, David J., et al. Zolpidem and Gender: Are Women Really At Risk? Journal of Clinical Psychopharmacology, vol. 39, no. 3, 2019.



    Expediente de Produção

    Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

    Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana

    Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica

    Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica

    Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)

    Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)

    Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo

    Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)

    Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 

    Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica

    Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath 

    Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath 

    Revisão da transcrição do episódio: Maxie Viana
  • Mundaréu

    O Retículo Endoplasmático

    04/03/2026 | 36 min
    Seja bem-vinda, bem-vindo e bem-vinde à nossa viagem pela célula! Neste episódio, vamos perseguir um RNA mensageiro. Um pequeno resumo: na nossa primeira parada, o Núcleo, a gente encontrou limitações na inclusão de células femininas na pesquisa biomédica. Dizer que uma célula é feminina não significa muita coisa, ou melhor, pode significar muitas coisas diferentes. E também esbarramos nos perigos, científicos e sociais, de nos limitarmos às opções masculino e feminino. Mas continuo me perguntando se escolher uma célula atribuída como feminina pode ser uma mudança positiva para o avanço da saúde das mulheres. 

    Por isso, estamos perseguindo essa pequena cópia do material genético, o RNA. Ele carrega parte das informações para fora do Núcleo. As orientações que vêm do material genético serão traduzidas em proteínas. São elas, as proteínas, que comandam a estrutura e funcionamento da célula. Vamos ver o que é produzido a partir da utilização de uma célula atribuída como feminina.

    Será que o sexo do modelo determina de quem é o corpo que está sendo considerado na pesquisa biomédica? Faz diferença isso para outros corpos, de outros sexos, outras raças? Escolher uma célula marcada como feminina pode direcionar a pesquisa a favor dos interesses das mulheres?

    Vem comigo se perder e se encontrar pelo Retículo Endoplasmático?



    Mais Informações

    Transcrição completa do episódio

    Currículo Bruno Paranhos

    Currículo Aryella Maryah Couto Correa



    Materiais Extras

    MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022. 

    MANICA, Daniela Tonelli. PEREIRA, Brunno Souza Toledo. Células-tronco adultas, potências condicionadas e biotecnologias de transformação. In: Rohden, Fabíola. Pusseti, Chiara. Roca, Alejandra (org.). Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Brasília, DF: Aba Publicações, 2021. 

    MANICA Daniela Tonelli. Menstrual blood in stem cell research: “gender trouble” and governance. In:18th IUAES World, 2018, Florianópolis. Congress Conference Proceedings 18th IUAES World Congress, 2018, p. 1394 -1400. 

    MANICA, Daniela Tonelli. Estranhas entranhas: de antropologias, e úteros. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 10, n. 1, p. 22–41, 2018.

    GARCIA-SIFUENTES, Yesenia; MANEY, Donna L. Reporting and misreporting of sex differences in the biological sciences. eLife, v. 10, p. e70817, 2021. 

    PLEVKOVA, J.; BROZMANOVA, M.; HARSANYIOVA, J.; et al. Various aspects of sex and gender bias in biomedical research. Physiological Research, v. 69, n. Suppl 3, p. S367–S378, 2020.

    KARP, Natasha A; REAVEY, Neil. Sex bias in preclinical research and an exploration of how to change the status quo. British Journal of Pharmacology, v. 176, n. 21, p. 4107–4118, 2019.

    BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013. 

    SCHIEBINGER, Londa L. Has feminism changed science? Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1999.

    NIEMANN, Tarek; GREINER, Johannes F.W.; KALTSCHMIDT, Christian; et al. EPO regulates neuronal differentiation of adult human neural-crest derived stem cells in a sex-specific manner. BMC Neuroscience, v. 24, n. 1, p. 19, 2023.

    RANDOLPH, Lauren N.; BAO, Xiaoping; ODDO, Michael; et al. Sex-dependent VEGF expression underlies variations in human pluripotent stem cell to endothelial progenitor differentiation. Scientific Reports, v. 9, n. 1, p. 16696, 2019.

    LI, Yanhui; WEN, Yan; GREEN, Morgaine; et al. Cell sex affects extracellular matrix protein expression and proliferation of smooth muscle progenitor cells derived from human pluripotent stem cells. Stem Cell Research & Therapy, v. 8, n. 1, p. 156, 2017

    MEYFOUR, Anna; ANSARI, Hassan; PAHLAVAN, Sara; et al. Y Chromosome Missing Protein, TBL1Y, May Play an Important Role in Cardiac Differentiation. Journal of Proteome Research, v. 16, n. 12, p. 4391–4402, 2017.

    LEE, Won-Jae; LEE, Seung-Chan; LEE, Jeong-Hyun; et al. Differential regulation of senescence and in vitro differentiation by 17³-estradiol between mesenchymal stem cells derived from male and female mini-pigs. Journal of Veterinary Science, v. 17, n. 2, p. 159, 2016.

    PUNDOLE, Xerxes N.; BARBO, Andrea G.; LIN, Heather; et al. Increased Incidence of Fractures in Recipients of Hematopoietic Stem-Cell Transplantation. Journal of Clinical Oncology, v. 33, n. 12, p. 1364–1370, 2015

    NGUYEN, Thong Ba; LAC, Quan; ABDI, Lovina; et al. Harshening stem cell research and precision medicine: The states of human pluripotent cells stem cell repository 155 diversity, and racial and sex differences in transcriptomes. Frontiers in Cell and Developmental Biology, v. 10, p. 1071243, 2023.

    KEZER, Camille A.; SIMONETTO, Douglas A.; SHAH, Vijay H. Sex Differences in Alcohol Consumption and Alcohol-Associated Liver Disease. Mayo Clinic Proceedings, v. 96, n. 4, p. 1006–1016, 2021.

    SKLOOT, Rebecca. A vida imortal de Henrietta Lacks. 1 ed. Nova Iorque: Companhia das Letras, 2011.

    CASTRO, Rosana. Economias políticas da doença e da saúde: uma etnografia da experimentação farmacêutica. São Paulo: Hucitec Editora, 2020. 



    Expediente de Produção

    Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

    Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana

    Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica

    Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica

    Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)

    Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)

    Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo

    Projeto de pesquisa relacionado a este episódio: E-28/2021 – Programa de apoio a projetos temáticos no estado do Rio de Janeiro 2021

    Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)

    Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 

    Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica

    Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath 

    Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath 

    Revisão da transcrição dos episódios: Igor Pereira e Maxie Viana

    Identidade visual da série: Bianca Bursi 

    Trilha sonora da série: Gabriel Marcal 

    Sonoplastia: Fernanda Mariath 

    Montagem do teaser: Fernanda Mariath 

    Conteúdo do sítio eletrônico: Fernanda Mariath 

    Divulgação: Fernanda Mariah 

    Financiamento: FAPESP, CAPES, CNPq e Unicamp

    Agradecimentos: À Capes pela bolsa de mestrado (Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), à FAPESP pela bolsa Mídia Ciência (Processo: 2025/16311-2 e 2024/15321-1), aos funcionários do Labjor, às professoras Germana Fernandes Barata e Marina Nucci, a toda equipe do Mundaréu e do Labirinto que contribuíram para produção dessa série, aos meus amigos e minha família!

    Vamos adorar saber o que você achou, entre em contato: [email protected]

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Mundaréu, podcast de Antropologia produzido pelo Labjor/Unicamp
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