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Ilustríssima Conversa

Folha de S.Paulo
Ilustríssima Conversa
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  • Ilustríssima Conversa

    Rita Carelli: Mito indígena evoca origem comum de todos os povos

    28/03/2026 | 45 min
    No começo de "O Mundo Fora da Pedra", Rita Carelli narra as longas viagens de barco da sua infância rumo à aldeia dos enawenê-nawês, no noroeste do Mato Grosso. Ela se lembra, mais que tudo, das noites que passou no barraco do Vicente Cañas, às margens do rio Juruena.
    O jesuíta espanhol chegou ao Brasil em 1966 e rumou para o estado. Era um tempo em que as missões da Igreja Católica na amazônia se transformavam: os religiosos mandados à região para converter os indígenas ao catolicismo e supostamente civilizá-los começaram a tentar entender os seus modos de vida e lutar para garantir os seus direitos.
    Visto mais como riponga que como missionário, Vicente Cañas passou a viver entre os indígenas e, em abril de 1987, foi assassinado no seu barraco. O processo sobre o crime, cheio de falhas, só foi concluído em 2025, quando a Justiça determinou a prisão de um delegado aposentado condenado pelo homicídio.
    Três décadas depois do assassinato, Carelli resolveu se dedicar a reconstituir essa história. Filha de uma antropóloga e de um cineasta envolvidos com a causa indígena, ela visitou os enawenê-nawês e outros povos desde criança e, hoje, o seu trabalho como escritora e diretora de cinema é perpassado por essas experiências.
    Neste episódio, a autora fala sobre como construiu a narrativa de "O Mundo Fora da Pedra", que ela diz ser um livro estranho por combinar um mergulho em um inquérito policial de milhares de páginas, uma reflexão sobre a história do país e uma costura das suas próprias memórias.
    Carelli explica algumas práticas rituais e outros aspectos da cultura exuberante dos enawenê-nawês e fala sobre como o mito de origem do grupo —sair de uma pedra ancestral em que todas as pessoas viviam juntas— ajuda a pensar o mundo de hoje.
    Veja fotos de fotos de Vicente Cañas e dos enawenê-nawês
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Raphael Concli
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  • Ilustríssima Conversa

    Uirá Machado: Obsessão por xadrez e fervor religioso marcaram vida de Mequinho

    14/03/2026 | 50 min
    Em 1979, o maior jogador brasileiro de xadrez da história mal conseguia se mexer. Trancado no seu apartamento, Mequinho sentia muita fraqueza e tinha medo de morrer a qualquer momento.
    O enxadrista teve que se afastar dos tabuleiros por causa da doença, que ele acreditava ser miastenia grave, e começou a frequentar um grupo de oração da Renovação Carismática Católica.
    No auge dessa crise, Mequinho recebeu em casa uma das pioneiras no país das sessões de cura, que se impressionou com a suposta graça instantânea alcançada. O enxandrista retomou os movimentos e passou a dizer que tinha sido curado por Jesus —não totalmente, mas 99%.
    Esse é um dos momentos de virada da vida de Mequinho, esquadrinhada por Uirá Machado, jornalista da Folha, na biografia recém-lançada "Entre Bispos e Reis".
    O livro narra a infância do garoto prodígio no interior do Rio Grande do Sul, a glória nos anos 1960 e 1970 e o fervor religioso que marcou a vida do enxadrista a partir da década de 1980.
    Convidado deste episódio, Uirá fala sobre a importância de Mequinho na história do esporte brasileiro e explica como o enxadrista trocou a obsessão pelos tabuleiros pela pregação religiosa —Mequinho passou a dizer nos últimos anos, por exemplo, que foi escolhido por Jesus como profeta do apocalipse.
    Veja galeria de fotos da trajetória de Mequinho
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Raphael Concli
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  • Ilustríssima Conversa

    Vladimir Safatle: O que vemos hoje não é metáfora, é o fascismo mesmo

    28/02/2026 | 57 min
    Vladimir Safatle, filósofo e professor da Universidade de São Paulo, está lançando o livro "A Ameaça Interna —Psicanálise dos Novos Fascismos Globais", pela editora Ubu.
    No podcast Ilustríssima Conversa deste sábado (28), o autor argumenta que aquilo a que estamos assistindo na cena política contemporânea, com a emergência do populismo autoritário em diversos países, não é uma metáfora do fascismo ou uma regressão ao fascismo; é o próprio fascismo.
    Safatle estabelece uma relação entre o que chama de fascismo global e as mentalidades e ideologias vigentes nas sociedades ditas neoliberais: o individualismo acirrado, a competição, a ideia de que alguém vai sempre perder. Ele prefere chamar esses regimes não de democracias, mas de fascismos restritos.
    O professor ainda fala, no podcast, sobre a polêmica que se criou em torno de um artigo sobre as teorias decoloniais que publicou na revista piauí ("Estudos decoloniais e o grande FMI universitário").
    Produção e apresentação: Marcos Augusto Gonçalves
    Edição de som: Raphael Concli
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  • Ilustríssima Conversa

    Camila Appel: Paradigma médico atual cria entraves a morte mais humana

    07/02/2026 | 53 min
    O ditado diz que a morte é a única certeza da vida —todo o mundo sabe, desde criança, que vai morrer, mas quase nada dá mais medo do que pensar no fim da vida.
    Para falar sobre por que a gente precisa falar sobre a morte, o Ilustríssima Conversa recebe Camila Appel nesta semana. A jornalista é criadora do blog Morte sem Tabu, da Folha, e acabou de lançar "Enquanto Você Está Aqui", uma reflexão sobre vários aspectos do fim das nossas vidas endereçada à sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção, 84.
    Esta é a raiz do trabalho que Appel vem desenvolvendo desde 2014: disseminar a ideia de que a morte, por ser uma certeza para todos, precisa ser tratada com a maior naturalidade possível, tanto para podermos lidar melhor com o fim da vida de mães e pais, irmãs e irmãos, esposas e maridos, cachorros e gatos quanto para conseguirmos nos preparar para a nossa própria morte.
    Esse assunto pode parecer sombrio, mas, como Appel lembra, olhar de frente para a nossa finitude é, antes de tudo, uma forma de pensar em como queremos viver.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Raphael Concli
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  • Ilustríssima Conversa

    Elvia Bezerra: Ruazinha em Santa Teresa mudou a poesia de Manuel Bandeira

    24/01/2026 | 46 min
    Em uma crônica, Manuel Bandeira escreve que a rua do Curvelo, onde morou de 1920 a 1933, "é uma ruazinha tranquila, e embora a dez minutos do centro da cidade parece um trecho de província".
    A rua de uma quadra em Santa Teresa, no Rio, poderia ser um detalhe sem muita importância na biografia de Bandeira. No entanto, para Elvia Bezerra, pesquisadora de literatura brasileira, deve ser vista como um aspecto fundamental na sua formação e no seu destino de poeta modernista.
    Bezerra diz que, imerso na atmosfera de província do Curvelo, um Manuel Bandeira recluso e tuberculoso redescobriu o encanto da rua —e esse universo de gente simples o arrancou do mundo fechado de poeta, se imbuiu nos seus versos e deu impulso a um dos períodos mais ricos da sua produção literária.
    Nos anos em que Bandeira esteve lá, também moraram na rua, hoje chamada Dias de Barros, o poeta Ribeiro Couto e a psiquiatra Nise da Silveira, os três personagens a que a autora se debruça em "A Trinca do Curvelo".
    Publicado pela primeira vez em 1995, o livro volta a circular em uma edição revista e ampliada, que incorpora fontes disponibilizadas nas últimas décadas, como a correspondência de autores modernistas.
    Nesta entrevista, Bezerra explica como um encontro com Nise da Silveira se tornou o empurrão inicial do livro e conta o que descobriu ao investigar a vida e a obra de Manuel Bandeira, em especial as relações amorosas do poeta "ferozmente discreto", tema de dois ensaios inéditos incluídos na nova edição da obra.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Raphael Concli
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Acerca de Ilustríssima Conversa

A equipe de jornalistas da Ilustríssima, da Folha, entrevista autores de livros de não ficção ou de pesquisas acadêmicas.
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